segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

O "PAPAI NOEL" LADRÃO !


​Era 23 de dezembro de 2014, noite fria e chuvosa nos arredores de Goiânia, GO, e o Sr. José, o catador de papéis, empurrava tristemente seu carrinho pelas ruas, já cansado e desanimado, pois naquele dia não conseguira juntar muitas caixas e papelões como de costume. Além disso, estava chovendo há algum tempo e os papéis e caixas que os comerciantes haviam jogado fora estavam se estragando, ou estavam sendo carregados pela correnteza das águas da chuva.
Normalmente ele pegava muitas destas caixas e papelões de embalagens, e era com a venda deles no quilo, que comprava os mantimentos para sua casa. Em outras palavras, a venda destes papeis velhos em um determinado comprador, era o seu ganha-pão. Era esse o seu trabalho e com ele sustentava a mulher Maria e os três filhos menores. 
E naquela noitinha, antevéspera do Natal, em que ele já estava voltando para casa todo molhado, resolveu entrar num boteco para tomar umas "pingas”, pois ninguém é de ferro! Tomou uns dois goles de cachaça e voltou ao seu carrinho com papéis velhos, retomando o caminho de sua casa. E apesar da chuva fina intermitente, o "clima" era de Natal, com luzes coloridas pelas casas, nos postes, nos prédios.
De repente, ele parou em frente a um Supermercado, destes maiores que, praticamente, são detentores do comércio dos bairros onde se situam. Ele parou, e ficou vendo toda aquela fartura, com tantas coisas gostosa à venda. Pessoas entrando e saindo com seus carrinhos de compras cheios, colocando nos porta-malas dos carros. Crianças contentes com vários brinquedos na mão.
Vê tudo isso só lhe fazia sofrer ainda mais, tal a sua pobreza e a sua condição humana diante de tudo.
E naquele dia específico ele só tinha no bolso alguns trocados, que lhe permitiria comprar o café e o leite que sua cara-metade havia lhe pedido para comprar assim que saíra de casa. Mas, gastara o dinheiro com as cachaças que tomou. 
E assim, meio "grogue" pelas pingas que tomara, sentou-se na calçada deste supermercado, e diante de uma TV grande que estava na porta, começou a prestar atenção nos noticiários das 19:30 horas. Eram só notícias sobre corrupção, falcatruas de políticos, de empresários, crimes e outras coisas que viraram rotinas em nosso Pais.A roubalheira é antiga por aqui. Porém, o José, o catador de papéis, nada podia fazer. Afinal de contas ele era apenas um homem pobre, quase um pedinte.
Ele agora estava a imaginar como iria conseguir comprar os persentes que seus três filhos lhe pediram. 
-Como iria fazer? 
E ficou por um tempo, vendo a TV e pensando na vida. Mas, levantou-se e voltou ao seu caminho para casa. Estava pensando na bronca que iria levar da Maria, por não ter trazido o leite e o café. Chegou em casa e caiu em cima do colchão velho que estava à sua espera. Nem deu ouvidos às reclamações da “patroa”. Se entregou ao sono, apagou!
E ele dormiu até ás 10:00 hora da manhã seguinte, que era 24 de dezembro, véspera de Natal. Acordou e se deparou com a realidade nua e crua de sua vida, sem dinheiro para comida e para comprar os presentes da patroa e dos "meninos". A Maria queria, pelo menos, comer um frango assado; o filho Thiago queria uma bola e uma chuteira; o João Paulo, uma bicicleta, e a menina chamada Betânia queria roupas novas, pois, com 12 anos ela já tinha "enjoado" de bonecas. 
-E agora José?
Ele ficou todo aquele dia a pensar e "matutar" sobre sua vida, sua condição social. Depois de comer arroz com ovo no almoço sentou numa cadeira velha na porta do barraco e ficou ouvindo um rádio de pilha velho. Notícias de esporte, de roubos, de crimes, estas coisas. E os meninos brincando no terreiro e sempre lhe perguntando sobre os presentes, se o "Papai Noel" iria lhe dar estas coisas. Papai Noel aqui significaria presentes. E esse pobre José, que deveria ser o “Papai Noel” deles, não tinha condição de comprá-los neste dia.
Árvore de Natal, frango para a ceia até aquela hora nada. E veio a noite, com o José ainda calado, pensativo. A Maria tinha ido na casa de alguma conhecida vê se ganhava alguma coisa.
De repente, lá pelas 8:00 da noite, teve uma ideia. Iria sair dali e iria conseguir umas coisas de comer e uns brinquedos para seus filhos. Iria pedir, claro. E pensava:
-Quem iria lhe negar, já que a solidariedade das pessoas é maior nesta época do ano?
E saiu pela noite, com um saco de algodão cru vazio em uma das mãos.
Na primeira casa que pensou em pedir, tocou a campainha e nada. Era uma destas casas de muros altos, cerca elétrica e alarme. Ninguém atendeu. Andou mais, bateu palmas no portão e nada.
E assim andou por muito tempo pelas ruas daquele bairro chique até se deparar com uma casa onde o portão da garagem estava aberto e essa garagem dava para a sala da casa. Chamou, bateu palmas, mas ninguém atendeu. Havia um barulho vindo de festa, música e conversa vindo no fundo da grande casa, cujo terreno era maior ainda. E ele entrou na sala daquela casa onde encontrou vinho, bolas, bonecas e até uma bicicleta. 
-Seria o Milagre de Natal que tantos falam? 
Tinha até uma roupa vermelha de Papai Noel. Só que todas aquelas coisas eram de outras pessoas. E na hora ele não pensou isto. Pegou tudo pôs no saco que tinha levado de casa e saiu sorrateiramente. Antes, porém, vestiu a roupa de Papai Noel e começou a pensar que ele tinha conseguido seu objetivo, presentear os filhos, pelo menos...
Porém, alguém viu ele saindo dali e chamou a Polícia. Deu zebra, como dizem! José foi preso em flagrante com aqueles pertences. Foi parar no Distrito Policial. 
E assim, em pouco tempo, o José, de um simples catador de papel pobre que nem Jó, estava agora sendo “gozado” no Distrito, pelos Policiais, sendo chamado de “Papai Noel Ladrão”. E o pior de tudo é que, como foi preso em flagrante, só seria liberado se pagasse uma fiança de, pelo menos, um salário mínimo.
E ele dormiu na cadeia naquela noite de Natal. 
E só no dia seguinte um agente foi até o seu barraco avisar à Maria, sua cara metade. Esta, foi se socorrer com uma senhora bondosa para qual ela arrumava a casa e passava umas roupas em dias alternados da semana. Esta senhora, D. Adelaide, foi o “anjo da guarda” da família. Pagou a fiança do José, levou todos para a casa dela para passarem o Natal e ainda deu roupas para todos e brinquedos para as crianças do catador de papel. 
E mais, passado o Natal e Ano Novo, conseguiu vagas numa Escola Municipal para os filhos do José, e um emprego na chácara de seu filho, para que o José fosse morar e tomar conta da mesma. 
-Ou seja, depois da tempestade, veio a bonança (*).
E de uma forma bem indireta e impensável, esse foi o "Milagre do Natal" para ele e sua família!

A.L.G -Reedição: 21/12/2020
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(*) Conto original de Antônio Luiz Gomes. 
Parte integrante de meu livro “As Vítimas da Sociedade”, publicado em 1ª Edição pelo Clube de Autores (www.clubedeautores.com.br)  e em 2ª Edição pela Amazon.com ,em janeiro de 2019

sábado, 19 de dezembro de 2020

O Vício dos Celulares no Mundo dos Cachorros (Crônica)

Nos últimos 20 anos a humanidade piorou muito. Principalmente nos relacionamentos entre as pessoas. Neste ano de 2020 ainda mais, pois chegamos ao "fundo do poço" com essa pandemia da Covid-19, que obrigou várias pessoas a trabalharem em casa ,no tal "trabalho remoto". Com isso se misturou a vida familiar com a vida profissional de cada um. Tumultuou tanto a nossa vida e nossos relacionamentos, que aumentou até numero dos divórcios. 

Já vivemos há algum tempo uma vida de difíceis relacionamentos entre as pessoas. Com o celular sendo usado 24 horas por dia, ninguém tem mais tempo de conversar olhando "olho no olho" como faziam, os antigamente.  As pessoas estão ficando alienadas.

Então agora ,nos últimos 9 meses, passamos a conviver com o trabalho e com a família no mesmo lugar, que é nossa casa. Na casa temos a mulher ,os filhos, a sogra, os papagaios e os cachorros. AH! os cachorros ! Estes invadiram as casas nos últimos 20 anos. Todo mundo agora quer ter um cachorro ou mais de um em casa. E nos apartamentos então? Como conciliar tudo?

Eu não tenho. Não aguento e não concordo com criar cachorros em meu apartamento. Nem gatos eu suporto, além do que nem temos "redinhas" nas janelas. Cm isso eles poderiam pular e morrer na queda. A não ser que ficassem com o um "paraquedas pet" (existe isso?)  Eu moro no 12º andar.

Deixando a Covid-19 por um tempo e entrando nesse Mundo dos Cachorros, isso está virando uma pandemia também. Excesso de cachorrinhos e cachorrões nos prédio. V. vai descer no elevador e já se depara com gente de todos os sexos adultos e crianças, puxando seus cachorros ou levando-os no braço. . Levam para passear. Levam para eles irem cagar nos jardins do prédio. Isso acontece todos os dias no prédio aqui onde moro.

-Pode isso Arnaldo?

Eu, que sou cadeirante atualmente(nem sempre fui assim) ninguém me leva para passear. 

Eu até que gostaria de ter um cachorro, ou até mais de um. Mas só se eu morasse numa chácara ou numa casa muito grande. Mas num apartamento, como muita gente tem? De jeito nenhum.

Então, para encurtar esse minha crônica ácida, não estou gostando nada dessa vida e desse mundo em que as relações humanas pioraram por causa do celular e com essa mania de se criar cachorros em apartamentos. Sou do tempo e do tipo de pessoas que gostam de conversar e de merecer atenção de quem converso. Está difícil conviver com as pessoas, mesmo da nossa família, que não têm mais tempo para dar atenção para gente. 

E o pior de tudo é que esta geração nascida do ano 2000 para cá está dando muito mais valor aos bichos do que às pessoas. Além do egoísmo dos jovens, que aumentou muito. Do jeito que está, não pode ficar. Tem de haver uma mudança nos relacionamentos e nas convivências das pessoas..

Esse vício do celular está tão grande que até nos filmes já estamos vendo cenas de personagens reclamando. Dia destes vi um filme em que o pai toma e joga o celular da filha na piscina, pois ela não dava atenção ao que ele falava para ela. E num outro filme o namorado, na mesa de um restaurante, enquanto falava com a namorada, fica nervoso e pede para ela olhar para ele e que desligasse o celular por um instante. Senão ele iria embora e deixaria ela só lá no Restaurante onde estavam. 

Virou uma pandemia a Covid-19,obviamente. E um vício o excesso de uso dos celulares. E virou uma mania a criação de cachorros em casas e apartamentos. Enquanto isso, estamos no fundo do poço mesmo na vida diária, nos relacionamentos e ,com toda essa vida malvada em que vivemos em pleno ano de 2020. Assim eu não aguento ! 

E do jeito que está ,não pode ficar, repito. 

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Texto Original : Antonio L. Gomes.

19 de dezembro de 2020.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

CORRAM ...QUE A POLÍCIA VEM AI

Para que eu adentre ao texto principal desta minha postagem, devo confessar aqui que tive treinamento militar no Exército onde fiz até um Curso de Cabo ,mas não quis ficar. Tive oportunidades de entrar na Polícia Civil (Delegado) e na Militar (Curso de Oficial),mas não quis. Preferi estudar mais um pouco e ser profissional liberal, pois me formei em Direito ainda bem jovem.  E durante os últimos 38 anos exerci a profissão de advogado nas áreas cível, família e trabalhista. 
A opção de não entrar na Policia ,seja ela militar ou civil foi minha mesmo. Meu pai queria que eu ficasse no Exército ,que seguisse carreira. Mas como Cabo eu sabia que as promoções demorariam. E eu não queria isso. Eu não me sentia bem com as regras de disciplina e "bitolamento" usado nestas corporações. Nem com a farda. E eu servi na época da Ditadura ainda. 
Ah! Antes que me esqueça ,um amigo queria também que eu entrasse na Polícia Rodoviária Federal e um outro ou na Policia Federal mesmo. Ele era da PF. Nessa até fiz um concurso, mas não estudei para o mesmo. Um mês antes das provas preferi ir passear no Nordeste ,ao invés de me enfurnar em casa e me debruçar nos livros. Não estava mesmo na minha natureza ser Polcial. Não tinha como passar. Não me arrependo de nada. Fiz o que eu quis. Sempre fui muito independente, muito livre E paguei caro por isso. Hoje já com os filhos criados e formados e eu com mais tempo, escrevo meus livros. Isso me faz bem feliz. Aliás, fazer o que eu queria. Esse sempre foi o lema de minha vida. E jamais entrar na Policia e ser comandado ,mandado. Não era e não é de minha natureza.
Mas o tema principal desta minha crônica não é sobre mim, mas sobre essas passeatas e manifestações que estão ocorrendo em todo o mundo ,sejam elas contra Governos corruptos e fascistas, ou como  a que começou na semana passada nos EUA ,por causa da morte do desempregado George Floyd, em Mineápolis ,no Estado de  Minnesota. E num outro caso ,também nos EUA, só que em outra cidade ,vimos pela TV um policial branco dando sete tiros pelas costas em um negro que já estava sendo preso. O mundo inteiro viu estas imagens.
O mundo inteiro viu pela TV. Mas este não foi o primeiro caso por lá. Outros casos ocorreram com muita repercussão, também. Porém, esse agora está sendo o que mais chamou atenção do mundo. 
Aqui no Brasil, a Polícia do Rio de Janeiro é mestra em matar inocentes. Sempre os de origem negra. Na semana passada foi a vez do João Pedro ,de 14 anos de idade. E nos últimos anos foram muitos os homens ,mulheres e crianças que morreram por balas de policiais. Eles negam ,mas essa é a verdade.
A do americano negro ,pai de família, foi uma tragédia filmada e mostrada ao mundo todo. Uma vergonha para a Polícia dos Estados Unidos da América. Aliás esta Policia deles ,composta por maioria de brancos ,já é violenta e racista há muito tempo. 
Quando vejo as polícias agindo assim, com total brutalidade desnecessária ,seja aqui, nos EUA ou na Europa, chego à conclusão de que fiz bem em não entrar em Polícia alguma, pois eu não serviria para atacar pessoas, principalmente indefesas. Nem que fosse mandado a fazer isso. A hierarquia militar nunca me entusiasmou. Sempre optei por ser livre, sem chefes.
Então ,preferi ficar com meu preparo do Exército, que foi todo direcionado para a Guerra .Só que, no Brasil, não tivemos nenhuma guerra, nem participamos de nenhuma guerra dos outros. Quando muito foram alguns soldados e oficiais para o Haiti, mas para dar segurança aos povos de lá. E nesta ação, nosso Exército se deu muito bem.
Já tive oportunidade de ser agredido verbalmente por um Policial Civil(Delegado) e por um Militar (um cabo da PM). Mas nos dois casos eles acabaram por me respeitar, após eu me identificar como Advogado. Uma vez quando estive numa delegacia (1º caso) e no Fórum Trabalhista,(segundo caso). Em nenhuma destas situações baixei minha cabeça. E falei o que tinha de falar. Numa outra situação discuti com um Delegado também, mas eu tinha tanta razão que ele nem levantou a voz para mim. Aliás, nós, os Advogados, sempre temos mais conhecimento do Direito do que os Policiais, sejam eles Civis ou Militares. E falo isso simplesmente porque sempre estamos pesquisando, estudando e agindo no âmbito das Leis e do Direito. Estudamos muito para fazer as petições ,os recursos etc.
E ,infelizmente, já vi PMs e Policiais Civis agredindo pessoas nas ruas, sem precisão alguma. Uma vez vi um Policial Civil batendo num homem, na própria casa dele. E era um trabalhador e já estava imobilizado. Nessa situação tive de agir, intervir pois o caso era com um vizinho. E tive de ouvir "poucas e boas" do Policial Civil, que também era meu vizinho e sabia que eu era Advogado. Anos  depois se desculpou comigo e veio até ser meu cliente. Ele e a filha dele. Hoje sei que ele já partiu para o "céu" dos Policiais Civis. Se é que ele mereceu ir para este "Céu".
E pensar que um dos melhores amigos meu era da PM: O Cel. João Lourenço. Ele estudou comigo no 2º grau, trabalhamos juntos numa loja e ele entrou na PM de Goiás chegando a Coronel. Nunca deixou de ser meu amigo. Ele sempre falava que era contra a violência. Pelo que eu soube ele só matou uma pessoa ,quando trabalhava no interior e era Capitão ainda. Mas disse que foi "no estrito cumprimento do dever legal". Mas foi só. 
Infelizmente esse meu amigo se foi em 2007. E ele foi um dos amigos que queria que eu entrasse na PM. E quando ele foi fazer o Curso de Oficial até me levou para fazer inscrição ,mas eu não quis. Depois fui no quartel dele visitá-lo. Mais de uma vez. Éramos amigos mesmo.
Hoje em dia, quando vejo imagens de Policiais agredindo pessoas desarmadas me revolto. Não aceito esta situação. E digo sempre para as pessoas que conheço: Pensem bem ante de acionar a Polícia. Só em casos extremos se utilizem dela. Principalmente da PM. Estes nem sempre têm preparo para lidar com as pessoas . São poucos os mais instruídos e que sabem como agir. Muitos usam as situações para jogar toda a frustração ou decepções do dia a dia deles contra as pessoas indefesas. Vimos vários casos assim na semana passada e nesta semana, principalmente no Rio de Janeiro e em São Paulo. E não há como negar, pois estas ações foram filmadas e mostradas na TV ,para que todos vissem a violência. Os policiais inventam histórias para negar a autoria destes crimes contra pessoas desarmadas. Mas tudo acaba sendo provado.
Aliás, em São Paulo e no Rio de Janeiro já ocorreram vários casos de violência policial, mas  a TV e as redes sociais só mostram os que foram filmados por terceiros ou por câmeras escondidas ou que já estavam instaladas nos locais. Obviamente que, a própria policia militar(que já usa câmeras como parte do uniforme),não vai filmar a violência de seus policiais e enviar para a Mídia ou para a Polícia Civil.
Policiais melhores formados não agem desse jeito. E obviamente sabemos que estes que matam  pessoas indefesas sem compaixão são minoria. No recente caso do Supermercado Carrefour, em Porto Alegre, tinha um PM temporário (o que é proibido) entre os dois seguranças que atacaram a vítima que era um senhor negro. Bateram nesta vítima até causarem sua morte. E isto foi visto em rede nacional. Está na Internet também todas as imagens que provam isso.
Aqui em Goiás é menor a violência dos policiais contra pessoas desarmadas. E muitos têm curso superior. Normalmente a PM mata mais os bandidos mesmos, os que reagem. Mas continuam com a arrogância de serem  da Polícia. Isso mais na PM.
Sabemos que Policiais são necessários para nossa segurança. É uma atividade de Estado importante. Mas, infelizmente, nem sempre agem como deveriam. E tem ainda os casos de maus policiais mesmo : os corruptos e envolvidos com bandidos etc. 
Estes são mais perigosos ainda. 
Como ressalva, devemos sempre dar valor a muitos deles, mesmo os que matam os bandidos nos confrontos, pois colaboram para não aumentar a criminalidade. Bandidos são bandidos e pronto. Não se deve dar moleza para eles.
E, repito, pensem bem antes de querer discutir ou enfrentar um policial ou precisar dele. 
E em casos de manifestações e aglomerações, corram, que a policia vai chegar. E quando veem, chegam com com força.
Salvo raras exceções ,claro.
É o que penso.
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A.L.G    Reedição :14/12/2020.

quinta-feira, 19 de novembro de 2020

RETIREM A ESTÁTUA DO BANDEIRANTE DO CENTRO DE GOIÂNIA,GO.




                             Estátua do Bandeirantes- Centro de
                            Goiânia, Capital do Estado de Goiás.

Dias atrás, em suas chamadas da propaganda Eleitoral, a candidata a Prefeita de Goiânia, de nome Manu Jacob (Psol), falava em retirar a Estátua do "Bandeirante" (foto acima) do local em que se encontra, na confluência das Avenidas Goiás com a Avenida Anhanguera, no centro de Goiânia, Capital de Goiás. 

E como quem é de fora de Goiás não conhece muito a história deste nosso Estado e da nossa Capital (onde moro), eu vou aqui desenvolver esse assunto de maneira prática e histórica e sem nenhuma tendência de bairrismo ou religião ,já que envolve os dois temas.

Há 12 anos atrás também teve um vereador aqui de Goiânia que chegou a propor um Projeto de Lei na Câmara Municipal daqui, com o objetivo de retirar esta mesma estátua do Bandeirante. Mas o motivo dele não era apenas por ser o Bandeirante um Paulista que nada fez por Goiânia. No caso do Vereador, ele queria colocar a estátua de um famoso arquiteto, de nome Atílio Correa de Lima que, praticamente, foi quem desenhou o mapa da Capital em ruas e bairros, no seu inicio. Mas esse projeto de mudar a estátua não foi adiante. Não foi aprovado.

Como este pastor e vereador, de nome Rosemberg, era também ligado à Igreja Universal do Reino do Edir Macedo (pois para mim não é de Deus), ele alegava também (falou isso na TV) que o Bandeirantes ( o da estátua) , conhecido como "O Anhanguera" tinha vínculos diabólicos.   Explico isso: "Anhanguera" em tupi-guarani significa "Diabo Velho". E o pastor-vereador achava que não podia ficar na Praça, bem no centro da cidade, esta estátua do Bandeirantes. Para o vereador, qualquer coisa que tivesse conotação diabólica, como seria esse "Anhanguera", seria prejudicial à cidade.

Para quem não sabe, estes bandeirantes eram os tais aventureiros que vinham a cavalo nas "Entradas e Bandeiras" paulistas. Entraram pelo interior do Brasil e chegaram principalmente em Goiás e Minas Gerais. Principalmente a "Bandeira" do Bartolomeu Bueno da Silva cujo filho ,de nome homônimo, seria o fundador da Cidade de Goiás, a velha Capital. Isso lá pelos idos de 1827.

A verdade é que, apesar de terem vindo como desbravadores e aventureiros em busca de ouro e prata, estes bandeirantes enganaram os índios da região. Viram enfeites de ouro nas vestes da índias. Então lhes ameaçaram e tomaram o ouro. E também estupraram muitas das índias que viviam na região. Isso não é motivo de nenhum orgulho para os goianos. E por isso, não tem sentido ter uma estátua grande, em bronze, no centro da cidade, homenageando esse Bandeirante. A verdade é que estes "desbravadores" cometeram várias atrocidades. Coisas que muitos livros de história não contam. 

Em determinada ocasião, para amedrontar mais ainda os índios, um destes bandeirantes paulista pegou um daqueles pratos grandes de peneirar o ouro (bateia) colocou nele aguardente(pinga ,cachaça), que os índios não conheciam muito. E disse para eles que aquilo era água do rio e que, se os índios não lhes entregassem o ouro que tinham, eles iriam pôr fogo nos rios. Os índios acreditaram. Então acharam também que esse bandeirante ameaçador tinha poderes sobrenaturais. E assim, o denominaram de O Anhanguera, que na linguagem deles, significava "Diabo Velho". Esse é o Bandeirante cuja estátua ainda está na Praça do Bandeirante, em Goiânia. Observem que ele tem um prato de um lado(mão esquerda) e um bacamarte do outro(mão direita). Além de uma espada na cintura. 

Dizem alguns historiadores (provavelmente paulistas) que estas "Entradas e Bandeiras" foram úteis para a colonização da região, e que fundaram algumas cidades pelo interior de Minas Gerais e de Goiás. Entre eles, os mais conhecidos foram Borba Gato e o Fernão Dias Paes Leme. Mas, para os Goianos ,o que ficou mais conhecido mesmo foi  este Anhanguera ,ou Bartolomeu Bueno da Silva.

Para mim, que conheço parte da História de Goiás (fui professor de História do Brasil e Geral) e moro em Goiânia há mais de 40 anos, acho mesmo que não tem  mais sentido esta estátua do Bandeirante na Praça, como se ele fosse um herói para os goianos. E não foi mesmo. 

Portanto, nada mais justo do que tirarem do centro de Goiânia esta estátua do Bandeirante paulista da Praça ,pois ele não orgulha ninguém daqui. Nem mesmo eu que não sou goiano, mas que adotei esta Capital como minha cidade há muitos anos. 

Na minha opinião, quem deveria estar representado com uma estátua no lugar onde fica a estátua do Bandeirante, deveria ser o Dr. Pedro Ludovico Teixeira, que foi o fundador da cidade de Goiânia. Até já existe uma estátua dele, montado num cavalo. Só que esta fica num canto, meio escondido, lá na Praça Cívica. Com a palavra os senhores vereadores eleitos agora por Goiânia, que poderiam fazer um projeto de lei e este ser materializado, no sentido de tirar este Bandeirantes da Praça, e no lugar dela colocar a estátua do Dr. Pedro Ludovico Teixeira.  Este sim merece a homenagem de todos os goianos  principalmente, dos goianienses.

                            A história e os homens de bem de hoje, precisam fazer justiça, resgatar a verdade dos fatos e dar mérito a quem merece, colocando no lugar do Bandeirantes a estátua do Fundador da Cidade de Goiânia, Capital do Estado de Goiás(foto abaixo).

A dica está dada.

                             Estátua do Dr. Pedro Ludovico 
                             Teixeira-Fundador de Goiânia.

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Goiânia GO, 19 de novembro de 2020. 

Texto original de Antonio Luiz Gomes.